A internet foi um dos maiores avanços que o homem já proporcionou à sua história. Não dá pra falar em comunicação nos nossos dias sem que venha à nossa mente a interatividade da internet.
Assim como tudo na vida se transforma e evolui, as novas descobertas tecnológicas também vêm contribuindo para os avanços em comunicação via internet. Até ha alguns anos atrás, a maioria das pessoas tinha acesso a este mundo via internet discada, hoje, com os tais avanços, vivemos na época da internet banda larga. A diferença básica entre ambas é a velocidade da comunicação com a rede mundial de computadores. Por exemplo: enquanto a comunicação discada atinge, no máximo, uma velocidade de 56,6 kbps, com a banda larga, no estado de São Paulo, os empresários já falam em comunicação de 100 mbps.
Por que digo isso? (Mais uma vez eu e minhas comparações
Porque considero muito interessante o modo como algumas pessoas pensam e praticam a espiritualidade cristã. Muita gente trata Deus, como que tratando com a internet, e geralmente os crentes de igreja, cujos mentores espirituais são os religiosos de plantão, são especialistas neste assunto, visto que o fetiche dos tais é sempre transformar quaisquer coisas em ritos sagrados. É caso dos fariseus, em Mateus 15, que transformaram hábitos de higiene, como o ato de lavar as mãos antes das refeições, como rito sagrado.
Pessoas neste estado vivem no limite do estresse e das tensões psicológicas. São pessoas que, geralmente, sofrem síndromes de ativismo e de neuroses agudas, porque o modelo de espiritualidade é sempre baseado nos moldes de um deus severo e manhosamente difícil de agradar. Esse deus, que é um ídolo, sempre está à procura do desempenho de seus servos e não existe nada mais diabólico que isso. O problema é que no meio cristão, este tipo de espiritualidade ganha sempre destaque.
A suposta falta de avivamento é julgada, por alguns, como o relaxamento dos cristãos em relação à vida religiosa. A falta de corações fervorosos é sempre atribuída a: falta de oração; falta de jejum; falta de mais cultos semanais; de mais congressos; de mais trabalhos nas, já tão cheias, agendas igrejistas; pra muita gente, o esfriamento se deve a tudo isso, porque, na mente destes, Deus é um “senhor” que sempre sofre de síndromes de onipotência, e que precisa, constantemente, de auto-afirmação do ser - talvez seja por isso que os cultos e os hinos de hoje parecerem sessões de mantra e hipnose.
O Evangelho é o bem executado a todo ser humano em qualquer época. Não existe mensagem mais atualizada que o Evangelho de
Jesus, o problema é quando confundimos espiritualidade com religiosidade. Enquanto a igreja continuar a sacralizar suas antigas práticas religiosas, como sendo verdades de Jesus, ela – instituição - nunca fará bem a esta geração.
Lidamos atualmente com tempos trabalhosos, onde se faz necessário entendermos as variáveis deste tempo, e, como escreveu Ed René Kivitz, “atualizarmos o julgo de Jesus” de forma que o bem do Evangelho alcance esta geração.
Um exemplo da nossa falta de contextualização é o da prática devocional cristã.
Isso mesmo! Aquela que muita gente é orientada a fazer em sua casa.
Para muitos pastores, a vida devocional válida, aquela que é aceita por Deus, tem hora e local pré-determinados. O problema é que não nos damos conta que hoje, por exemplo, um
jovem sai às seis horas da manhã de sua casa e somente retorna às onze e meia da noite, sendo assim, como orientar e ensinar espiritualidade a este jovem seguindo estes moldes? Será que ele será menos espiritual se ele não tiver esse devocional? Será que ele terá que compensar sua deficiência semanal enchendo sua agenda com horários e programações de igreja nos seus fins de semana?
É claro que isso não justifica o comodismo que muita gente tem. Parafraseando Paulo, “muita gente quer usar da liberdade para dar ocasião à carne”, pois faz muito bem, a todo ser humano, entrar em seu quarto e orar em secreto ao Pai celestial. A questão é que com isso querem, os religiosos, sacralizar e enrijecer o método, a fim de julgar e dizer quem é e quem não é. Isso não é espiritualidade e nem Evangelho.
O desafio da mensagem cristã hoje é ensinar a pessoa a viver e a ministrar a vida, seus atos e pensamentos como oração, ou seja, tudo o que eu fizer que seja a Deus oração, e, ao chegar em casa, meia-noite, dobrar os joelhos e agradecer a Deus pelo dia, ainda que sejam apenas em 5 minutos, com uma mente tranqüila e agradecida, tendo a fé que meu dia foi bom e que extrai o melhor da vida, e dizer que isso é oração e, também, vida espiritual significativa diante Dele, isso é que é Evangelho. Porém isso é mais difícil, pois exige consciência do
cristão. E outra, ensinando e fazendo as pessoas a viverem assim, quebra-se o vício da autoridade eclesiástica que as igrejas evangélicas querem ter sobre a mente do povo.
Portanto, é mais fácil continuar a pregar, como muitas igrejas pregam - igrejas que ainda vivem na época de internet discada, que em 5 minutos ainda não se estabelece "conexão" em nenhum lugar do mundo -, ou seja, deve se ter uma introdução, um rito preparatório, dizer umas palavrinhas chaves, esperar uns minutos, e, quando a pessoa sentir que se estabeleceu conexão (sentir uns arrepios), neste momento a pessoa que agora está “conectada com Deus”, pode orar, e todo este trabalho de comunicação deve levar horas. Isso, pra muitos, é oração e vida espiritual (essa é a idéia de devocional); assim é mais fácil.
Que Deus nos auxilie a sair da internet discada e vir para a banda larga, porque algumas questões não param de ressoar:
Até quando a igreja continuará inerte nestes tempos trabalhosos? Até quando a igreja vai continuar neste estado de cegueira? Até quando a igreja continuará ensinando coisas que são totalmente próprias para as épocas passadas? Até quando a igreja continuará acreditando que o que ela ensina é realmente o bem do Evangelho para todo aquele que Nele crê?
Pense nisto!