
Me lembro de uma vez em que eu estava em uma reunião de blogueiros e um conhecido disse algo interessante. Dentre várias outras coisas, ele falou que olha para os artistas, músicos e escritores como sendo os profetas da nossa geração. Profeta no sentido de mostrar ao mundo aquilo que ele não viu que está acontecendo e também o que pode acontecer no futuro diante disso que tem acontecido.
Dessa forma, hoje, qualquer material (textos, músicas, comida, obras de arte) é algo rápido, produzido sem demora e as pessoas não querem saber de ficar muito tempo tentando “digerir” algo. Quanto mais “mastigado”, prático e rápido, melhor. E nada de “bater sempre na mesma tecla” ou “servir um prato de comida repetido”. É a cultura fast food não somente na nossa alimentação, mas também no nosso modo de viver.
Se antigamente, muitas músicas faziam sucesso por serem “inteligentes”, por nos fazerem pensar, hoje as que fazem sucesso são justamente as que fazem não pensar e esquecer do nosso cotidiano com letras pobres e repetitivas. Outro exemplo disso tudo é o Twitter, que faz sucesso porque está dentro dessa lógica. Apesar de inicialmente ter sido considerado uma plataforma de microblogging, ele foi o “garoto prodígio” dessas plataformas porque entre ler 140 caracteres ou ler um texto inteiro em um blog, é claro que preferimos a opção mais fast food. Os caras que criaram o Twitter também foram artistas nessa sacada. Deram uma de profeta.
Porém, não estou falando que esse contexto é ruim e nem que é bom, simplesmente é assim que está acontecendo e pronto. Eu mesmo admito que nessa história de que “os fins justificam os meios”, tenho preferido os “meios” que são os menores e mais rápidos possíveis. Mas será que uma hora nós vamos chegar em um ponto e perceber que talvez esse não era o melhor caminho? Ou será que esse é um caminho sem volta? Se ele for bom ou ruim, duradouro ou não, somente o tempo nos dirá , além, claro, dos nosso famosos profetas.
Patrick Moreira

Quem me conhece e convive mais comigo certamente já deve ter me ouvido falando a respeito de algumas “teologias” que têm rodeado a minha mente ultimamente. Porém, ao contrário de muita coisa que eu já pensei ou tentei viver, essas acabaram sendo aprendidas na prática mesmo, do jeito difícil, com erros e acertos. É engraçado o quanto que às vezes somos cegos e não vemos aquilo que a palavra de Deus diz, porque, no final das contas tudo isso que a gente fala, que a gente considera como visão teológica e pensa que é novidade na nossa vida, já estava escrito na bíblia há muito tempo. O problema é que muitas vezes nós lemos isso tudo, mas a ficha não cai.
Um exemplo é algo que acabei aprendendo com relação a ministérios, a postura diante de Deus e da obra Dele. Somos sempre levados a sermos os “super-cristãos”, os irrepreensíveis, os que não aceitam palavras que não sejam de prosperidade ou sucesso e que têm sempre uma boa imagem a zelar (até para si mesmo). Porém, a questão é que às vezes nós devemos deixar o nosso orgulho de lado e admitir certas verdades que já nos têm rodeado, mas que não queremos perceber e assumir. Realmente, talvez É MELHOR DAR UM PASSO PARA TRÁS PARA DEPOIS DAR DOIS PARA FRENTE.
Essa postura aparentemente simples envolve questões importantes como humildade, graça, sabedoria, prudência e até mesmo amor. E também garanto que ela pode ser a chave de muitas situações nas quais as soluções mais imediatas parecem não dar certo. O livro de Provérbios fala que é melhor uma pessoa receber uma repreensão de um sábio do que o elogio de um tolo. E isso em si já é uma postura de sabedoria. Da mesma forma, existe um ditado chinês que diz que aquele que tem uma dúvida e faz uma pergunta é tolo por alguns instantes, mas aquele que a tem e não pergunta, é tolo por toda vida.
Porém, o pior de tudo é que as pessoas que não tem essa postura sábia conseguem ser felizes, terem “sucesso” na vida. Mas isso tudo sobre uma base nada sólida. Uma casa à beira-mar, sobre a areia, a poucos metros do suave barulho das ondas com certeza figura os sonhos de muitos de nós e não há como negar que isso é bom. Contudo, sabemos que não é nada sensato construir casas sobre a areia a poucos metros do mar. A casa ficará à mercê das tempestades e das ondas, além do fato de que ela não possui um solo firme para se fixar.
Muitas vezes, muitas de nossas atitudes também são assim. Preferimos sempre olhar pra frente, deslumbrar as belezas que nos esperam e agimos como um carro sem freio em uma ladeira: nada pode nos parar. Pensamos sempre em ir para frente como se corrêssemos atrás do vento e gastamos o nosso tempo e nossas energias nisso, orgulhosos e certos de que o caminho a seguir é esse, sempre em frente, atropelando qualquer coisa que aparecer no nosso caminho. Entretanto, me entenda que eu não quero dizer que devemos olhar e andar para trás e desviar do objetivo final o tempo todo. E isso é o mais interessante!
Na verdade, a palavra de Deus é bem dura com relação aos que retrocedem e olham para trás diante do chamado de Deus. Existe uma diferença entre objetivo e prioridade. Imagine que você precisa atravessar uma rua movimentada para chegar em uma loja que está não somente do outro lado da rua, mas também a vários metros à esquerda de onde você está. Todos sabem que o caminho mais curto entre você e a loja é em linha reta, ou seja, você atravessaria a rua na diagonal. Porém, como eu disse, a rua está movimentada e tem um carro vindo na sua direção enquanto você atravessa a rua. Nesse momento, o seu OBJETIVO ainda é chegar à loja, mas você sabe que isso não será possível se você for atropelado pelo carro. Dessa forma, atravessar a rua se torna a sua PRIORIDADE e você vai atravessar a rua não mais na diagonal, mas em linha reta, tomando a menor distância entre um lado e o outro da rua. Nisso tudo, em nenhum momento o objetivo foi esquecido: o que mudou foi a prioridade.
Da mesma maneira, não devemos estabelecer apenas objetivos nas nossas vidas, mas também prioridades para alcançar esse objetivo. Nem sempre o caminho será em linha reta entre onde você está e o objetivo. Assim como está na Bíblia, nem na nossa “caminhada” rumo ao céu o caminho é reto: ele é tortuoso, mas sempre aponta para o objetivo final, o “vetor resultante” é sempre o mesmo. O que será que é melhor: uma pessoa que dá um passo para frente, cai e não se levanta tão cedo ou um que dá um passo para trás, se prepara e dá dois passos firmes para frente? As duas pessoas estarão no mesmo lugar, a diferença é COMO elas estarão: uma estará de pé e a outra caída no chão.
Dessa forma, será que não existem coisas nas nossas vidas que estão precisando de serem analisadas e realizadas diante de uma nova postura? Talvez uma postura de revisão, arrependimento, de parar com essa ideia de sair atropelando tudo e todo mundo por objetivos que nem são de Deus, mas nossos? Será que não nos falta admitir e entender que estamos no caminho errado? Ou que até estamos no caminho certo, mas com as intenções erradas? E isso não significa necessariamente que temos pecado: talvez simplesmente não temos feito as melhores escolhas, não temos agido e pensado da melhor forma, da forma que dá certo. Seja sincero com Deus e consigo mesmo. Somente você sabe onde você realmente está, como está, onde deveria estar e aonde você deve chegar. Se você tem dúvida disso, pergunte para Deus que Ele te responderá. “E disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14.6).
Patrick Moreira


(se necessário, ative as legendas, no canto direito inferior)

Quem nunca assistiu Aladin e pensou o quanto seria ótimo se um gênio da lâmpada mágica desse a você três desejos para serem realizados? Como são só três, tenho certeza de que você pensaria muito bem a respeito de cada um. De qualquer maneira, imagino que o primeiro pedido de muitos seria muito dinheiro. O segundo seria mais difícil de escolher, mas é bem provável que fosse algo bem pessoal. Depois disso só restaria um pedido! As dúvidas sobre o que escolher seriam enormes! Mas e se você pudesse fazer infinitos desejos?
Se isso fosse possível, seria bom que você combinasse um código com o gênio para que ele não confundisse os seus pensamentos com os seus desejos, já que nem sempre pensamos em coisas sábias. Muitos iriam ler alguns escritos antigos para invocar o gênio. Outros iriam fechar os olhos e falar palavras bonitas para direcionar os desejos para ele. Alguns até usariam amuletos para serem segurados no momento dos pedidos. E independente da maneira que isso fosse feito, o importante é que sempre poderíamos pedir mais. Mas será que você já não tem esse gênio?
Qual é a sua visão sobre Deus? Será que, muitas vezes, você não tem imaginado ele como a figura de um gênio da lâmpada mágica, mas com o direito de fazer infinitos pedidos? Você é um servo de Deus ou é ele que tem sido o seu servo, ouvindo todos os seus desejos e caprichos? E qual é o código que você inventou para fazer os pedidos? A questão é que, infelizmente, muitas pessoas ainda não amadureceram para entender que o gênio azul do Aladim não existe. Não existe ninguém que vai atender os seus egoísmos.
O Verdadeiro Deus ama os humanos e, por isso, não atende todos os seus desejos. Ele sabe que nem sempre pedimos o que é bom: sempre queremos prejudicar alguém e não sabemos o que realmente queremos. Não sabemos escolher nem roupas! Quantas roupas você já comprou e só vestiu na hora de experimentar? E, mais, do que isso, Deus quer que tenhamos um relacionamento com ele, e não simplesmente que o problema seja resolvido. Deus prefere nos ver sem o que queremos, mas perto dele do que com o que queremos, mas longe dele.
Porém, não pense que ele não se preocupa com o que você quer ou precisa. “O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso. Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas. Por isso, não fiquem preocupados com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã trará as suas próprias preocupações. Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades” (Mateus 6.32-34).
Portanto, não pense que Deus é indiferente a sua situação. A questão é que ele se preocupa mais com você do que com a situação em si. E ele quer tê-lo como filho, mas não um filho mandão que pensa que o pai deve atender todos os caprichos dele. Muito menos ele quer ser visto como um gênio azul que tem alguns poderes e vive em função de realizar desejos: ele não é assim. Mas se você quiser realmente fazer três pedidos para Deus, sugiro que você peça simplesmente o Caminho, a Verdade e a Vida, porque esses desejos nenhum gênio pode atender.
Patrick Moreira
Leia também...




